mas eu volto.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

a volta

voltei no dia 9 de fevereiro. e quando acordo, ainda acho que estou em buenos aires...

mas, quem é lolo?




lolo é um dos donos do restaurante vegetariano.

e é um teacher também. e é um fanático pelo racing. é dono de ludwig, um gato surdo. é filho do ex-presidente do partido comunista. é dono de um hostel também. é quem faz os sucos exóticos do restaurante. é um cara de "atitude".


depois de almoçar em seu restaurante uns 10 dias seguidos, começamos a conversar. uma pena que demorou tanto.

uma tarde com abel


abel foi um dos caras mais massas!

não é músico de profissão, mas toca um violão... e conhece música brasileira. boa música.

marcamos um dia para fazer um intercâmbio e trocar as músicas que tínhamos e conhecíamos. enchemos a cara de mate e ouvimos tango e música folclórica e julio sosa e muitas coisas...

pra mim, muitas lições: música argentina não é só piazzolla, nem todo mate é ruim, e nem todo convite pra escutar música é mal intencionado.

mas, quem é nazareno?

conheci nazareno em uma milonga.

lolo não podia dançar, porque estava com o tornozelo machucado. então, participei das aulas sozinha e dancei com nazareno. uma ótima pessoa, com um senso crítico apuradíssimo. no meio da dança, achou algo errado e decidiu me entregar à professora (!), uma morena lindíssima, de pernas mais lindíssimas ainda - como é de costume entre as dançarinas de tango.

dancei com a moça:

- sos de francia?
- no brasileña.
- ah... y sos bailarina?
- no.
- bailás muy bien! hey, che! está divina! ningún problema!

depois da dança, uma jovem canta temas da década de 50, acompanhadas de dois violonistas. nazareno fazia duras críticas à moça enquanto lolo estava sentado ao meu lado tomando um fernet e achando tudo lindo, especialmente a cantora.

no dia seguinte, encontrei nazareno por acaso perto do café onde sempre vou (essa é a viagem das coincidências) e fomos caminhar por puerto madero e san telmo. falamos sobre música - nazareno é violonista profissional - e sobre carnaval. assistimos a um show de tango na rua - do qual naza também não gostou - e vimos um "corso", parecido com o carnaval de rua daqui - naza queria sair correndo...

seria uma noite linda - até para o senso crítico exigente de nazareno - não tivesse terminado com o assalto, e a delegacia e outras coisas chatas.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

meu primeiro assalto

não, eu não entrei para a marginalidade... eu fui a assaltada.
e desta vez sem foto ilustrativa, porque a câmera... bem...

nove de julio.

- estão seguindo a gente. não olhe para trás.
- o quê?
- fica mais perto da mim...

pronto: um chico muy mala onda agarrou nazareno, queria o celular. outro segurou o meu braço e falou pra eu dar a bolsa. eu ainda quis negociar: te dou todo o dinheiro (uma fortuna de quarenta pesos)... mas desisti quando ele disse que ia me matar.

foram embora. eu andei rápido na direção oposta. o que tinha na bolsa? todos os documentos - putz! o papel de entrada no país!... a máquina - ai! a máquina!... a chave do apartamento - ai! a chave!!!... os cartões do banco... ah, não!

muitas pessoas olhando, com medo. nazareno correndo pra lá e pra cá atrás de um taxi. o " ah não!" ainda ecoando na minha cabeça e já estávamos na delegacia.

nazareno quer resolver tudo, desde bloquear o cartão do banco até ligar pra embaixada. e ainda me pede desculpas. "hey,você não teve culpa!"
mas não adiantava. estava totalmente desolado.

a segunda pior parte foi ter que acordar pedro ( o zelador do prédio) verônica (a mulher do zelador) às 5 da manhã para abrir o apartamento pra mim com a chave mágica deles. ( como eu sei? já tinha perdido a chave uma vez...)

nazareno sobe comigo até o apartamento só pra se certificar de que está tudo bem. abre a porta e se assusta com o que vê: "calma! o apartamento já estava bagunçado..."

antes de ir embora, nazareno esboçou um sorriso. "tchau, boa sorte!"
voltei pro apartamento...
sempre soube que a primeira vez não seria em são paulo.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

biblioteca nacional



a biblioteca nacional é lindíssima. tem um prédio moderno e imponente e,como toda biblioteca, é um lugar de descobertas...

demoro: 15 miutos para selecionar mais ou menos 15 livros.
descubro: que só posso consultar três de cada vez.

espero: uns 40 minutos para os livros chegarem.
descubro: lendo um folder sobre a biblioteca, que borges foi diretor dela por muitos anos.

recebo: só um livro, porque os outros são muito antigos, e não podem ser consultados.
descubro: que preciso de uma moeda de um peso (nem mais nem menos) para deixar minha bolsa no guarda-volumes.

consulto: o único livro que consegui em uma linda sala de leitura, extremamente silenciosa e confortável.
descubro: que esse livro eu já conhecia.

perco: a minha paciência.
descubro: que eu gosto mais da minha biblioteca.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

uba



enquanto visitava a faculdade de filosofia da uba (universidade de buenos aires) pensava, sem nenhum ressentimento, que a estética fflchiana é quase tão enlatada quanto uma franquia do mc donalds.
fiquei pensando se isso é uma coisa da américa latina, ou se as faculdades de filosofia, letras, história etc da europa ou do japão também têm esse clima subversivo meio teen.


pensava e caminhava pelos corredores vazios e entrava em algumas salas. alguém estava estudando violão clássico. o vendedor da barraquinha de livros começou a falar comigo ininterruptamente. pensei em uns loucos conhecidos da fflch.

o prédio cinza, cimento. algumas cadeiras quebradas, salas meio sujas.
andava entre as pixações e os cartazes rasgados, e pensava.

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